Consignação LOTOTO passo a passo

Rigor técnico para ambientes exigentes

A consignação LOTOTO é o procedimento que garante que uma máquina não arranca, nem liberta energia, enquanto alguém trabalha nela. Faz-se em dez passos, do aviso à equipa até à reposição controlada, e o passo decisivo é o teste de energia zero antes de tocar no equipamento. Este guia descreve cada passo como o aplicamos em fábricas portuguesas e aponta os erros que mais vezes encontramos.

O que significa LOTOTO

LOTOTO junta três palavras inglesas. Lockout é o bloqueio físico da fonte de energia com um cadeado. Tagout é a etiqueta que identifica quem bloqueou e porquê. Tryout é a tentativa de arranque que prova que o bloqueio funciona. Em Portugal o conjunto chama-se consignação de equipamentos, e é esse o termo que aparece nos procedimentos internos e nas auditorias.

A diferença entre LOTO e LOTOTO está no último passo. Muitos procedimentos param no cadeado e na etiqueta. O teste de arranque é o que separa um bloqueio que parece seguro de um bloqueio que está seguro.

A consignação é obrigatória em Portugal?

Não existe um diploma português chamado LOTOTO. A obrigação resulta do Decreto-Lei n.º 50/2005, que exige que os equipamentos de trabalho tenham dispositivos claramente identificáveis para os separar de todas as fontes de energia, e que as operações de manutenção se façam com o equipamento parado e isolado. Resulta também dos princípios gerais de prevenção da Lei n.º 102/2009. Nas auditorias ISO 45001 e nas visitas da ACT, a ausência de um procedimento escrito de consignação é das não conformidades mais frequentes em manutenção.

Na prática, a empresa tem de conseguir provar três coisas. Que identificou todas as energias de cada máquina. Que tem um procedimento escrito por equipamento. Que as pessoas que o aplicam receberam formação e têm os dispositivos certos à mão.

Que energias é preciso controlar

O erro mais comum é pensar só na eletricidade. Uma prensa desligada do quadro pode ainda ter pressão hidráulica acumulada, um cilindro pneumático pode descer por gravidade, uma mola comprimida pode disparar, um forno pode estar quente, um tubo pode ter vapor ou produto químico. O procedimento tem de listar, para cada equipamento, as energias presentes.

EnergiaExemplosComo se isola e dissipa
ElétricaMotores, quadros, resistênciasSeccionador bloqueável na posição aberta, verificação de ausência de tensão
HidráulicaPrensas, cilindros, centraisFecho e bloqueio de válvulas, despressurização, escoramento de cargas suspensas
PneumáticaAtuadores, válvulas, pistolasVálvula de corte bloqueável com purga, verificação no manómetro
Mecânica e gravitacionalVolantes, molas, cargas elevadasTravagem, calços, escoras, descompressão de molas
TérmicaFornos, caldeiras, tubagensTempo de arrefecimento definido, medição de temperatura
Química e fluidosTubagens de produto, vapor, gasesFecho duplo com purga intermédia, flanges cegas, lavagem

Os dez passos da consignação

  1. Preparar. Consultar o procedimento específico da máquina. Confirmar que energias existem, onde estão os pontos de isolamento e que dispositivos são precisos.
  2. Avisar. Informar o operador e a chefia de que a máquina vai ser consignada e por quanto tempo.
  3. Parar. Desligar o equipamento pelo comando normal de paragem, nunca pelo seccionador em carga.
  4. Isolar. Atuar cada ponto de isolamento identificado no procedimento. Seccionadores, válvulas, flanges.
  5. Bloquear. Colocar um cadeado pessoal em cada ponto de isolamento. Cada pessoa que intervém coloca o seu cadeado. Com vários intervenientes usa-se uma caixa de consignação ou um fecho múltiplo.
  6. Etiquetar. Pendurar a etiqueta com nome, contacto, data e motivo. A etiqueta informa, o cadeado protege. Uma etiqueta sem cadeado não é uma consignação.
  7. Dissipar. Libertar a energia residual. Purgar ar, despressurizar óleo, descarregar condensadores, escorar cargas, deixar arrefecer.
  8. Testar. Tentar arrancar a máquina por todos os comandos e verificar que nada se move. Confirmar ausência de tensão com aparelho testado antes e depois. Voltar a pôr os comandos em posição de paragem.
  9. Intervir. Só agora começa o trabalho. Se a tarefa muda ou entra mais uma pessoa, acrescenta-se o respetivo cadeado.
  10. Repor. Retirar ferramentas e proteções provisórias, confirmar que não há ninguém na zona de perigo, avisar, retirar os cadeados pela ordem inversa e só então repor a energia. Cada pessoa retira apenas o seu cadeado.

Os erros que mais vezes encontramos

Um cadeado para toda a equipa. Se três pessoas trabalham e só uma bloqueou, duas estão dependentes da memória da primeira. Cada interveniente tem o seu cadeado e a sua chave.

Bloquear o botão em vez da fonte. Bloquear um botão de paragem de emergência ou um comando não isola energia. O bloqueio é no seccionador, na válvula, no ponto que corta a fonte.

Saltar o teste. O tryout é o passo que mais se salta por pressa. É também o que apanha o seccionador avariado, a válvula que não veda e o circuito alimentado por outro quadro.

Procedimento genérico. Um procedimento igual para todas as máquinas não diz onde está o ponto de isolamento da máquina 14. O procedimento tem de ser por equipamento, com fotografia dos pontos.

Chave mestra na gaveta da chefia. Se uma chave abre todos os cadeados, o sistema deixa de proteger quem está dentro da máquina. A remoção de um cadeado alheio é excecional, com procedimento próprio, registo e autorização.

O que deve conter um procedimento de consignação

Um procedimento útil cabe numa página ou duas e vive junto da máquina. Identifica o equipamento, lista as energias e os pontos de isolamento com fotografia e localização, indica os dispositivos a usar, descreve a sequência de bloqueio e de reposição, define como se verifica a energia zero e diz quem autoriza exceções. Revê-se quando a máquina muda e pelo menos uma vez por ano.

Como a CHIOSTEK ajuda

Fazemos o levantamento energético de cada equipamento, escrevemos os procedimentos específicos, selecionamos os dispositivos de bloqueio adequados a cada ponto e formamos as equipas de manutenção e produção no terreno. Veja o serviço de procedimentos LOTOTO e consignação ou a formação industrial.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre LOTO e LOTOTO?
LOTO cobre o bloqueio e a etiquetagem. LOTOTO acrescenta o tryout, a tentativa de arranque que confirma que a máquina está mesmo sem energia antes de se iniciar o trabalho.

A consignação é obrigatória por lei em Portugal?
Não há uma lei com esse nome, mas o Decreto-Lei n.º 50/2005 exige que os equipamentos possam ser isolados de todas as fontes de energia e que a manutenção se faça com o equipamento parado e isolado. A consignação é a forma reconhecida de cumprir essa exigência.

Quem pode retirar um cadeado de consignação?
Apenas quem o colocou. A remoção por terceiros só é admissível num procedimento de exceção, depois de confirmar que a pessoa não está nas instalações, com autorização da chefia e registo escrito.

Que dispositivos são precisos para começar?
Cadeados pessoais com chave única, etiquetas, fechos múltiplos para vários intervenientes, bloqueadores de seccionador, de válvula e de ficha, e um verificador de ausência de tensão. A lista exata sai do levantamento de cada máquina.

Com que frequência se revê um procedimento LOTOTO?
Sempre que a máquina, a instalação ou a tarefa mudam, e pelo menos uma vez por ano numa auditoria ao procedimento feita no local com a equipa.

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