Avaliação de risco ATEX, como se faz e o que tem de ficar escrito

Rigor técnico para ambientes exigentes

A avaliação de risco de explosão é o documento que sustenta tudo o resto em ATEX. Sem ela não há classificação de zonas fundamentada, não há escolha correta de equipamentos e não há Manual de Proteção contra Explosões que resista a uma inspeção. O Decreto-Lei n.º 236/2003 obriga o empregador a fazê-la antes de definir qualquer medida. O objetivo deste guia é explicar as etapas, os critérios e o resultado que tem de ficar escrito.

O que a lei exige que a avaliação considere

O diploma, que transpõe a Diretiva 1999/92/CE, manda avaliar os riscos específicos de explosão tendo em conta quatro fatores, em conjunto e não isoladamente.

  1. A probabilidade de ocorrência e a duração de atmosferas explosivas.
  2. A probabilidade de presença de fontes de ignição, incluindo descargas eletrostáticas, e de se tornarem ativas e eficazes.
  3. As instalações, as substâncias utilizadas, os processos e as suas possíveis interações.
  4. A dimensão dos efeitos previsíveis.

A avaliação cobre também os locais ligados por aberturas aos locais onde pode formar-se a atmosfera explosiva. Uma sala de quadros elétricos com uma conduta aberta para a zona de solventes faz parte do problema.

As etapas da avaliação

1. Inventariar as substâncias inflamáveis

Para cada gás, vapor, líquido ou poeira presente na instalação recolhem-se as propriedades de segurança. Nos gases e vapores, ponto de inflamação, limites inferior e superior de explosividade, densidade relativa ao ar, temperatura de ignição, grupo e classe de temperatura. Nas poeiras, granulometria, concentração mínima explosiva, energia mínima de ignição, temperatura mínima de ignição em nuvem e em camada. As fichas de dados de segurança dão parte desta informação. Para poeiras próprias da fábrica é muitas vezes preciso ensaiar uma amostra em laboratório.

2. Identificar onde e quando se forma a atmosfera explosiva

Percorre-se o processo e identificam-se as fontes de libertação, contínuas, primárias e secundárias, em funcionamento normal, em arranque e paragem, em limpeza e manutenção e em avaria previsível. A ventilação de cada local é avaliada quanto ao grau e à disponibilidade. Esta etapa produz a classificação de zonas, explicada no nosso guia sobre classificação de zonas ATEX.

3. Identificar as fontes de ignição

A norma EN 1127-1 lista treze tipos de fontes de ignição. A avaliação verifica, zona a zona, quais podem existir e em que condições se tornam eficazes.

Fonte de igniçãoExemplo industrial
Superfícies quentesMotores, rolamentos, lâmpadas, tubagens de vapor
Chamas e gases quentesQueimadores, trabalhos de soldadura e corte
Faíscas de origem mecânicaImpacto de ferramentas, corpos estranhos em moinhos e transportadores
Material elétricoQuadros, tomadas, luminárias e sensores sem categoria adequada
Correntes elétricas parasitas e proteção catódicaRetornos de corrente em estruturas metálicas
Eletricidade estáticaTrasfega de líquidos, transporte pneumático de pó, correias, vestuário
RelâmpagosSilos e tanques exteriores
Ondas eletromagnéticas de radiofrequênciaAntenas, telemóveis, equipamentos de rádio
Radiação óticaLasers, luz solar concentrada
Radiação ionizanteMedidores de nível radioativos
UltrassonsEquipamentos de limpeza e de medição
Compressão adiabática e ondas de choqueAbertura brusca de válvulas em linhas de alta pressão
Reações exotérmicas e autoignição de poeirasCamadas de pó sobre superfícies quentes, armazenamento de biomassa

4. Estimar as consequências

Para cada cenário avalia-se a dimensão dos efeitos, pressão de explosão, projeções, incêndio subsequente, explosões secundárias por levantamento de camadas de pó, e as pessoas e instalações expostas. É esta etapa que distingue uma zona pequena numa flange exterior de um silo de farinha dentro de uma nave com quarenta pessoas.

5. Definir as medidas e verificar o risco residual

As medidas seguem a ordem da lei. Primeiro, impedir a formação de atmosferas explosivas, por substituição de produtos, confinamento, ventilação ou inertização. Segundo, evitar a ignição, por escolha de equipamentos com a categoria da zona, ligações equipotenciais, controlo de trabalhos a quente e de eletricidade estática. Terceiro, limitar os efeitos, por alívio de explosão, supressão, isolamento entre equipamentos e construção resistente à pressão. Depois de aplicadas, repete-se a avaliação para confirmar que o risco residual é aceitável.

O que é que o Manual de Proteção contra Explosões tem de conter

O artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 236/2003 exige que o empregador compile num manual o resultado da avaliação e as medidas adotadas. É o documento a que algumas empresas chamam Manual de Prevenção ATEX. O conteúdo mínimo é o seguinte.

  • Demonstração de que os riscos de explosão foram identificados e avaliados.
  • Medidas tomadas para cumprir os objetivos do diploma.
  • Classificação dos locais em zonas, com plantas.
  • Locais a que se aplicam as prescrições mínimas do anexo do diploma.
  • Conceção, utilização e manutenção dos locais de trabalho e dos equipamentos em condições de segurança, incluindo os dispositivos de alerta.
  • Medidas de coordenação quando trabalham no local empresas externas.

O manual é elaborado antes do início do trabalho e revisto sempre que o local, os equipamentos ou a organização do trabalho sofrem alterações significativas, e pelo menos uma vez por ano, como exige o artigo 6.º.

Os erros mais comuns que encontramos

  • Avaliação feita a partir de um modelo de outra fábrica, com zonas que não correspondem à instalação.
  • Poeiras ignoradas porque a empresa só pensou em solventes e gás.
  • Fontes de ignição não elétricas esquecidas, sobretudo eletricidade estática e superfícies quentes.
  • Equipamentos substituídos pela manutenção por modelos sem categoria ATEX, sem que o manual tenha sido atualizado.
  • Ausência de registo das revisões anuais. Um manual de 2018 sem assinatura de revisão vale pouco em 2026.

Benefícios para a operação

  • Cumprimento demonstrável do Decreto-Lei n.º 236/2003 perante a ACT e as seguradoras.
  • Compras de equipamento certas à primeira, com a categoria exigida por cada zona.
  • Redução das zonas classificadas por via da ventilação e do confinamento, com menos equipamento Ex a comprar.
  • Procedimentos claros para trabalhos a quente, limpeza e manutenção em zonas classificadas.

Como a CHIOSTEK apoia

A CHIOSTEK apoia a sua organização em todo o processo, da avaliação de espaços e identificação de cenários de risco, classificação de zonas com plantas, verificação da adequação dos equipamentos instalados, elaboração ou revisão do Manual de Proteção contra Explosões e definição de procedimentos e boas práticas para reduzir a probabilidade de ocorrência e a severidade das consequências. Veja o serviço de manual ATEX e ambientes ATEX.

Consulte-nos através da página de contactos. Respondemos com brevidade.

Perguntas frequentes

Quem é responsável pela avaliação de risco de explosão?
O empregador. Pode contratar técnicos externos para a executar, mas a responsabilidade legal pelo seu conteúdo e pela sua atualização não se transfere.

A avaliação de risco ATEX é a mesma coisa que o manual?
Não. A avaliação é o trabalho técnico. O manual é o documento que compila o resultado dessa avaliação, as zonas, as medidas e os procedimentos. O manual sem avaliação é um documento sem fundamento.

Quanto tempo demora uma avaliação de risco ATEX?
Depende do número de substâncias, de locais e de processos. Numa unidade com duas ou três áreas classificadas, entre duas e seis semanas, incluindo visitas, recolha de dados e redação. Ensaios laboratoriais de poeiras acrescentam prazo.

A avaliação tem de incluir as empresas externas?
Sim. O diploma exige medidas de coordenação quando trabalhadores de várias empresas estão presentes no mesmo local, e essas medidas ficam no manual.

O que acontece se a avaliação não existir?
A falta de avaliação e de manual constitui contraordenação, e em caso de acidente a empresa não consegue demonstrar que cumpriu o dever de prevenção. As seguradoras pedem cada vez mais o manual antes de cobrir instalações com risco de explosão.

Scroll to top