A instalação de uma linha de vida é um projeto de engenharia e não a compra de um cabo. Uma linha instalada sem cálculo, sem ensaio das ancoragens e sem documentação não protege quem a usa e não resiste a uma inspeção. O objetivo deste guia é explicar o que tem de ser entregue com cada sistema, que tipos de linha existem e como escolher o instalador.
Que tipos de linha de vida existem
A norma EN 795 define cinco tipos de dispositivos de ancoragem. Dois deles são linhas de vida no sentido corrente.
| Tipo EN 795 | O que é | Onde se usa |
|---|---|---|
| A | Ponto de ancoragem fixo à estrutura | Acessos pontuais, escadas, pontos de resgate |
| B | Dispositivo transportável e temporário | Obras e intervenções curtas |
| C | Linha de vida horizontal flexível, em cabo | Coberturas, fachadas, percursos longos |
| D | Linha de vida horizontal rígida, em calha | Naves industriais, pontes rolantes, zonas de carga |
| E | Ancoragem de peso morto | Coberturas planas onde não se pode furar |
Os sistemas de tipo C e D destinados a mais do que um utilizador em simultâneo seguem ainda a especificação CEN/TS 16415. Um pormenor com consequências práticas. Os dispositivos instalados de forma permanente na estrutura não são tratados como EPI pela regulamentação europeia. Não têm marcação CE como um arnês tem. A garantia de que o sistema é seguro vem do projeto, da instalação documentada e da inspeção, e por isso a documentação não é um extra.
O que é um projeto de linha de vida
O projeto responde a quatro perguntas antes de se furar a primeira chapa.
- Traçado: por onde passa a linha, a que distância do bordo, que zonas da cobertura ficam acessíveis em restrição e quais ficam em travagem de queda.
- Estrutura de suporte: o que está por baixo de cada ancoragem, madres, vigas, laje de betão, e se aguenta as forças de uma queda.
- Forças de cálculo: numa linha flexível, a força nas ancoragens de extremidade é várias vezes superior à força que o absorvedor deixa chegar ao utilizador, por causa do ângulo do cabo. O projeto quantifica essa força para o número de utilizadores previsto.
- Distância livre de queda: a altura que tem de existir abaixo da linha para que o utilizador não atinja o solo ou um obstáculo. Soma a flecha do cabo, o comprimento da linga, a extensão do absorvedor, que pode chegar a 1,75 m, o alongamento do arnês e uma margem de segurança de 1 m.
Sem este cálculo, uma linha montada numa nave com 5 m de pé direito pode deixar o utilizador bater no chão antes de o sistema o travar. Acontece mais vezes do que se pensa, sobretudo em coberturas baixas e em pontes rolantes.
Restrição ou travagem, qual é a diferença
Um sistema de restrição impede o utilizador de chegar ao bordo. A linha fica afastada da beira e a linga tem o comprimento certo para que a queda não seja possível. Um sistema de travagem admite a queda e detém-na. Exige absorvedor de energia, distância livre e plano de resgate. Sempre que o traçado o permite, o projeto deve privilegiar a restrição. É mais simples, mais barato de manter e elimina o risco em vez de o gerir.
Como se fixa uma linha de vida em cada tipo de cobertura
| Cobertura | Solução habitual | Cuidado principal |
|---|---|---|
| Painel sanduíche | Postes com base de distribuição fixados às madres através do painel, com vedação | A fixação nunca é só à chapa. A vedação tem de ser garantida para toda a vida do sistema |
| Chapa metálica simples | Postes fixados às madres ou a chapas de reforço | Verificar a espessura e o estado das madres |
| Laje de betão | Buchas químicas ou mecânicas com ensaio de arranque | Betão fissurado ou de baixa resistência exige ensaio em cada ancoragem |
| Estrutura metálica | Ligação aparafusada ou soldada, com registo | Soldadura só com procedimento qualificado e inspeção |
| Fibrocimento e materiais frágeis | A linha não resolve sozinha. Precisa de passadiços e de proteção das claraboias | Nunca se circula sobre o material. O projeto tem de definir os percursos |
| Membrana impermeabilizante | Ancoragens de peso morto ou postes com reposição da membrana | Garantir a impermeabilização em volta de cada ponto |
O que tem de ser entregue no fim da instalação
A instalação só está concluída quando a sua empresa recebe o dossier completo. Sem ele, a próxima inspeção não tem base e um acidente não tem defesa.
- Projeto com cálculo, planta de implantação, traçado e distância livre de queda.
- Relatório de ensaio das ancoragens. As ancoragens químicas e as fixações em betão são ensaiadas à tração, por amostragem ou na totalidade conforme o projeto, com registo do valor atingido em cada uma.
- Declaração de instalação, assinada pelo instalador, a confirmar que o sistema foi montado segundo o projeto e as instruções do fabricante.
- Manual do fabricante e manual de utilização do sistema, com o EPI compatível, o número máximo de utilizadores e as limitações.
- Plano de resgate. Um trabalhador suspenso no arnês tem minutos antes de entrar em trauma de suspensão. O plano diz quem o resgata, com que meios e em quanto tempo.
- Placa de identificação junto ao acesso, com o número de utilizadores, o EPI exigido, a data de instalação e a data da próxima inspeção.
- Registo de inspeção inicial e abertura do histórico do sistema.
- Formação dos utilizadores e registo dessa formação.
Como escolher o instalador
Três critérios separam um instalador de um montador.
- Qualificação pelo fabricante: a maioria dos fabricantes só garante o sistema se for instalado por empresa com formação no seu produto. Peça o certificado.
- Capacidade de projeto: o instalador faz o cálculo e assina-o, ou apresenta quem o assina.
- Continuidade: quem instala deve poder inspecionar nos anos seguintes e conhecer o sistema. Uma linha instalada por uma empresa que desaparece é uma linha sem histórico.
Benefícios para a operação
- Acesso seguro e documentado a coberturas e zonas em altura.
- Cumprimento do Decreto-Lei n.º 50/2005 e das normas EN 795 e EN 365.
- Redução do custo de manutenção ao longo da vida do sistema, por existir projeto e histórico.
- Defesa da empresa em caso de inspeção da ACT ou de acidente.
Como a CHIOSTEK apoia
A CHIOSTEK fornece soluções completas de linha de vida, do projeto e dimensionamento à instalação e à inspeção periódica. Cada sistema é entregue com o dossier descrito acima e com a formação das equipas que o vão usar. Veja o serviço de linhas de vida e as inspeções de segurança em altura.
Consulte-nos através da página de contactos. Respondemos com brevidade.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora a instalar uma linha de vida?
Uma linha de cabo numa cobertura industrial corrente instala-se em um a três dias, depois de uma visita técnica e do projeto. O prazo total, com projeto e dossier, costuma ficar entre duas e quatro semanas.
Uma linha de vida precisa de marcação CE?
Os componentes seguem as normas do fabricante, mas um sistema instalado de forma permanente na estrutura não é um EPI e não tem marcação CE enquanto sistema. A segurança demonstra-se com o projeto, a declaração de instalação e a inspeção anual.
Posso instalar uma linha de vida numa cobertura de fibrocimento?
Só com passadiços e proteção das claraboias. O fibrocimento não aguenta o peso de uma pessoa e a linha não impede a queda através do material.
Quantas pessoas podem usar a linha ao mesmo tempo?
O número que o projeto e o fabricante definirem, normalmente entre uma e quatro. Está escrito na placa de identificação. Mais utilizadores do que os previstos aumentam as forças nas ancoragens para valores que o sistema não foi calculado para suportar.
O que acontece se não existir plano de resgate?
O sistema fica incompleto. A lei exige que o trabalho em altura só se faça com meios de resgate previstos, e um trabalhador suspenso sem resgate rápido corre risco de vida mesmo depois de a queda ter sido travada.